domingo, 2 de maio de 2010

Entrevista com Ivani Pereira



De família humilde, Ivani pereira de Souza, 28 anos,baiana de Morpará, desembarcou em Brasília no fimal de 2001, e na sua bagagem trouxe a garra e os ensinamentos dos seus pais de que a conquista vem de muito esforço e dedicação.

Você saiu de casa cedo com um objetivo: estudar e crescer e profissionalmente, quem foi seu principal incentivador?

A princípio a realidade em que vivia. Nasci em uma família humilde na zona rural do oeste baiano onde o nível profissional mais elevado era ser professor e para isso era necessário estudar fora dali.

Foi difícil a saída da casa de seus pais?

Difícil sim, mais nenhuma surpresa, eu nunca me conformei com aquela vida e desde sempre falava em sair dali porque queria uma vida diferente. Falava o tempo todo em morar numa cidade grande para estudar e trabalhar, sempre fui apaixonada por Brasília e meus pais já estavam acostumados com a idéia.

Em algum momento pelo fato de nunca ter afastado de seus pais, você sentiu-se insegura?

Sim, por várias vezes, principalmente em questões relacionadas à moradia, sou muito sistemática com relação a incomodar as pessoas, me privava de muitas coisas do cotidiano para deixar os outros à vontade. E até hoje fico insegura, basta uma gripe com tosse que tire meu sono. Meus pais são minha rocha.

Você veio do nordeste, como foi o momento da chegada e o que mais lhe chamou a atenção?

Nenhuma surpresa, tenho mania de criar grandes expectativas, minha preocupação era com as dificuldades, no entanto foram muito menores do que eu imaginava. Vi como maior obstáculo o custo de vida e logo percebi a solução: ser empresária ou servidora pública. Estes me despertaram atenção e dedicação.

Formada pela FACSENAC em Gestão Comercial, sua experiência pessoal foi essencial na escolha do curso ou você teve indicações de amigos?

Meu primeiro emprego foi no comercio, num restaurante na Asa Norte. Lá, percebi o quanto era rentável o ramo empresarial. Situado em área comercial dava para visualizar todas as movimentações dos comércios vizinhos e concluir que, o que fazia a diferença era o bom gerenciamento , e isso me despertou interesse nesta formação.

Em algum momento viveu em conflitos por causa da situação financeira? Você pode citar alguma?

Quase sempre, além do típico custo de vida que é muito elevado aqui em Brasília, tive muita dificuldade para estudar, os materiais de estudo são muito caros e os cursos tinham preços fora da minha realidade de principiante. Sem contar o meio social onde boas condições financeiras significam status. Isto me incomodava muito.

Alguma vez você esbarrou no seu limite e recuou?

Nunca. Apesar de querer sempre mais, achar que posso mais e mereço mais. Sempre fui cautelosa, sou muito de planejar. Gosto de mensurar todos os meus atos, peso todos os prós e contras antes de qualquer decisão e nunca cheguei ao meu limite. Esta é minha grande curiosidade, saber até onde ele vai.
O que o curso superior significa para você?

Quase tudo, ele projetou para o mundo novo, onde conheci pessoas e pessoas interessantes. Aprendi não somente assuntos relacionados á profissão. Ele me fez interessar e acompanhar tecnologia, entender a natureza e compreender o ser humano. Em fim meus horizontes não têm limites, vejo oportunidades em tudo.

Além do curso superior, você agora é concursada. Com isso você acha que já atingiu seu principal objetivo?

Ainda não. Eu penso muito grande e no meu planejamento o curso superior e o serviço público são alicerces para maiores conquistas. Lógico que eles eram importantes objetivos, mas continuo pensando em usá-los como caminhos para maiores conquistas. E está dando certo.

Izabel Pereira

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